O Brasil encerrou 2025 com saldo de 1.279.498 empregos formais criados. O número é o mais baixo desde 2020, ano da pandemia de Covid-19, quando houve fechamento de 189.393 postos. Em comparação a 2024, ano em que foram criadas 1.677.575 vagas, houve uma queda de 23,7% no total de vagas abertas em 2025.
Os dados são do Novo Caged e foram divulgados nesta quinta-feira (29/1) pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
No acumulado do ano, o estoque de empregos formais cresceu 2,7%, com desempenho desigual entre setores. Serviços (+3,29%) e construção (+3,08%) avançaram acima da média nacional, concentrando os maiores ritmos de expansão do emprego. Já no comércio (+2,33%) e na agropecuária (+2,33%), o crescimento foi abaixo do patamar geral. A indústria geral teve o desempenho mais fraco entre os grandes setores, com alta de 1,62%.
O acumulado do ano foi muito afetado pela forte retração registrada em dezembro de 2025. O mês finalizou com o fechamento de 618.164 postos. O movimento segue o padrão histórico de retração no último mês do ano, marcado pelo encerramento de contratos temporários e ajustes sazonais. A queda foi de 1,26%, patamar um pouco maior que a média de queda de 1,07% observada em dezembro de 2023 e 2024.
A retração de dezembro atingiu todos os cinco grandes setores da economia. Os serviços lideraram as perdas, com saldo negativo de 280.810 empregos (-1,17%), concentrados principalmente na administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais, que fecharam 122.892 vagas — com destaque para a educação, responsável por 87.134 desligamentos.
A indústria registrou a segunda maior retração em dezembro, com fechamento de 135.087 vagas formais, puxado principalmente pelos segmentos de confecção de peças do vestuário (-9.302) e fabricação de açúcar bruto (-7.461). A construção civil também apresentou forte recuo, com saldo negativo de 104.077 postos, refletindo principalmente quedas na construção de edifícios (-32.783) e em obras de rodovias e ferrovias (-13.569).
No comércio, o saldo de dezembro foi negativo em 54.355 vagas, com destaque para a redução no comércio varejista de materiais de construção (-3.551). A agropecuária fechou o mês com perda de 43.836 postos, concentrada no cultivo de maçã e em atividades de apoio à agricultura, serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita.
Parte do resultado negativo de dezembro esteve associada aos vínculos não típicos. Dos 618.164 postos fechados no mês, 158.018 corresponderam a contratos não típicos, o equivalente a 26% do saldo mensal, proporção inferior à média registrada nos dois últimos meses de dezembro, de cerca de 31%.
O impacto da retração foi generalizado também do ponto de vista regional. Todos os 26 estados e o Distrito Federal registraram saldo negativo em dezembro. As maiores perdas ocorreram em São Paulo (-224.282 postos, ou -1,51%), Minas Gerais (-72.755 postos, ou -1,44%) e Paraná (-51.087 postos, ou -1,52%). Já as menores reduções foram observadas no Acre (-461 postos, ou -0,40%), Roraima (-988 postos, ou -1,15%) e Amapá (-1.137 postos, ou -1,09%).
Entre os grupos populacionais, o saldo de dezembro foi negativo tanto para homens (-348.400) quanto para mulheres (-269.764). Também houve fechamento líquido de vagas para pessoas com deficiência (-2.027) e para todos os grupos de cor ou raça: brancos (-277.991), pardos (-275.173), pretos (-43.242), amarelos (-4.573) e indígenas (-3.303).
No campo dos rendimentos, o salário médio real de admissão em dezembro de 2025 foi de R$ 2.303,78, o que representa uma queda de 0,51% em relação a novembro, mas um aumento de 2,55% na comparação com dezembro de 2024, já descontados os efeitos sazonais. Trabalhadores com vínculos considerados típicos tiveram salário médio de admissão de R$ 2.337,05, enquanto os não típicos receberam, em média, R$ 2.057,56, valor cerca de 10,7% inferior.
Política de juros pesou mais que tarifaço sobre indústria, diz Marinho
Marinho associou o desempenho do mercado de trabalho formal em 2025 ao patamar elevado da taxa de juros definida pelo Banco Central. Segundo o ministro, o aperto monetário pesou mais sobre o setor industrial de forma geral.
O ministro também minimizou o impacto do tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump sobre o desempenho agregado da indústria em 2025. Ele destacou que os efeitos ficaram concentrados em segmentos específicos — como madeira, móveis, calçados e tubos de aço — e foram parcialmente compensados pela abertura de novos mercados promovida pelo governo Lula.
“Não estamos negando que o tarifaço possa ter atingido algum segmento. Isso aconteceu, mas do ponto de vista global da indústria, o efeito dos juros é mais danoso”, afirmou Marinho durante a apresentação dos dados.
Ao comparar o cenário brasileiro com o internacional, Marinho voltou a criticar a condução da política monetária. Ele destacou que o Brasil opera atualmente com o segundo maior juro real do mundo, atrás apenas da Rússia, sem enfrentar um contexto de guerra ou crise que, em sua avaliação, justificasse esse nível de aperto.
“Nós temos vários investimentos planejados que, com os juros altos, acabam sendo postergados. Quem tem dinheiro em caixa prefere investir sem risco nos títulos públicos, e quem precisa tomar recurso enfrenta um custo muito caro. Isso leva à desaceleração do ritmo de crescimento da economia”, disse o ministro.
