A primeira rodada nacional da pesquisa Indexa sobre a corrida presidencial mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 39% das intenções de voto, contra 30% do senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. O levantamento reforça a polarização entre lulismo e bolsonarismo e indica dificuldade das candidaturas alternativas em romper a disputa entre os dois principais campos políticos.
Entre os nomes posicionados como alternativa à polarização, o governador Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 5% das intenções de voto. Na sequência, o governador Romeu Zema (Novo) registra 3%, mesmo percentual do estreante Joaquim Barbosa (DC). Já Renan Santos (Missão) soma 2%, enquanto os demais nomes testados não pontuaram no principal cenário do levantamento.
O estudo foi realizado entre os dias 22 e 24 de maio de 2026, por meio de entrevistas telefônicas com 2 mil eleitores distribuídos proporcionalmente em todo o país. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro máxima estimada em 2,2 pontos percentuais. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02154/2026.
Em um eventual segundo turno, a diferença entre os dois principais candidatos diminui. O presidente Lula aparece com 46% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro alcança 41%, indicando uma disputa mais equilibrada. Apesar da proximidade, o cenário ainda mantém uma margem favorável ao presidente na simulação de confronto direto.
A pesquisa aponta que ambos os candidatos possuem bases eleitorais relativamente consolidadas. Entre os eleitores de Lula, 83% afirmam que não pretendem mudar o voto até a eleição. No caso de Flávio Bolsonaro, 74% dizem já estar decididos, o que garante ao senador uma base consolidada próxima de 23% do eleitorado.
Sem Lula
Nos cenários sem Lula, Flávio Bolsonaro aparece à frente de nomes ligados ao atual governo. Contra o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o senador soma 32%, ante 21% do petista. Já em um cenário com o ex-ministro Fernando Haddad (PT), Flávio registra 30%, contra 23% do ex-prefeito paulistano.
Nos cenários de segundo turno sem Lula, o senador do PL também mantém vantagem. Contra Alckmin, marca 40% contra 35%. Em uma disputa com Haddad, registra 40%, enquanto o petista alcança 36%.
Caso Daniel Vorcaro
O levantamento também mediu os efeitos políticos do caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a pesquisa, 78% dos entrevistados afirmam ter conhecimento do episódio, enquanto 48% acreditam existir algum tipo de ligação entre o empresário e o senador. Apesar disso, 40% defendem a manutenção da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, enquanto 38% avaliam que ele deveria desistir da disputa.
Para o sociólogo e CEO da Indexa Pesquisas, Arilton Freres, o episódio já provocou desgaste político para o senador, uma vez que a maior parte da população tomou conhecimento das denúncias e uma parcela significativa dos eleitores associa Flávio Bolsonaro ao caso. Segundo ele, eventuais novos desdobramentos ou o surgimento de novas acusações podem ampliar a pressão interna de aliados e de setores do próprio campo bolsonarista pela busca de alternativas eleitorais, aprofundando tensões dentro do grupo político.
Apesar da liderança eleitoral, Lula enfrenta sinais de desgaste político. Segundo a pesquisa, 59% afirmam que o presidente não merece permanecer mais quatro anos no cargo, enquanto 36% defendem sua continuidade.
Entre os entrevistados, 46% afirmam que jamais votariam em Lula, mesmo percentual dos que rejeitam Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, ambos preservam núcleos sólidos de apoio: 32% afirmam que votariam “com certeza” em Lula, enquanto 28% dizem o mesmo sobre Flávio Bolsonaro.
