Declarações de Daniella Marques, assessora econômica do candidato Flávio Bolsonaro (PL), sobre os planos para o Bolsa Família geraram ruídos quanto ao futuro do programa social. A campanha oposicinista teve que entrar em campo para rebater interpretações sobre a fala, que estão sendo exploradas por Lula (PT) na reta final da corrida presidencial.
Marques concedeu uma entrevista nesta segunda-feira (19/10) à rádio CBN. De acordo com ela, haverá um período de dois anos para o beneficiário do programa abrir um negócio ou aceitar um emprego de carteira assinada.
“Quem está no Bolsa Família vai ter regra de transição, como teve na época do presidente Bolsonaro, de dois anos, para que possa abrir o seu negócio ou aceitar emprego de carteira assinada. Com uma regra de transição por dois anos e o retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é um início de uma jornada”, afirmou.
De acordo com representantes da campanha, Marques teria apenas reafirmado uma proposta já feita pela campanha de Flávio – a de, basicamente, ampliar a regra de proteção existente para quem ultrapassa a renda permitida pelo programa: de um ano para dois anos. Segundo os representantes do time, não há desligamento.
O PT publicou nas redes um alerta: “URGENTE! Assessora econômica de Flávio admite que pretende desligar beneficiários do Bolsa Família por dois anos”. O perfil do presidente Lula repostou o conteúdo.
O Bolsa Família é um dos tópicos mais sensíveis nas eleições. Enquanto o PT tenta usar estratégia de propagar que Flávio vai cortar recursos de programas sociais, o senador tem repetido que o programa e outros benefícios sociais vão continuar.
Em meio à corrida presidencial, o governo antecipou os pagamentos de outubro com a justificativa de que eles são necessários para auxiliar a população devido ao El Niño. Em geral, há uma escala de pagamentos que demora alguns dias a serem feitos.
Em setembro, por exemplo, os pagamentos foram feitos de 17 a 30 de setembro (13 dias de diferença). Desta vez, os depósitos serão feitos entre os dias 19 e 21 de outubro (3 dias) – todos a tempo do segundo turno, no dia 25.
