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Com a ajuda de Jair, Trump e Vorcaro, Lula retoma favoritismo na eleição

10/06/26

O script da eleição presidencial deste ano tem saído exatamente como roteirizado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, apesar de alguns sobressaltos previstos na trama, segue na ponta das pesquisas eleitorais e recuperou o favoritismo abalado entre março e maio. Em outros termos, tudo até agora tem seguido como calculado pelo petista.

Esse roteiro está refletido na mais recente pesquisa presidencial Genial/Quaest, divulgada nesta quarta feira (10/6): no primeiro turno, Lula tem 39% das intenções de voto (estável na comparação com o levantamento do mês passado), enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 29%, quatro pontos abaixo do registrado em maio.

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No segundo turno, no cenário com Flávio, o petista, que já chegou a estar empatado tecnicamente com o senador, agora tem 44% das intenções de voto contra 38% do bolsonarista. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Novamente, as chances de Lula obter o quarto mandato aumentaram, conforme experientes analistas e expoentes do mundo político. Flávio pode não ter derretido nas pesquisas, mas está sangrando após a revelação de suas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master.

Para que tudo tenha saído como desejado por Lula, ele contou com a ajuda importante de corroteiristas improváveis. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ofereceu a ele a maior das vitórias obtidas no período pré-eleitoral: tirou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) do jogo presidencial e colocou Flávio, seu filho mais velho, na disputa. O presidente norte-americano deu ao terceiro mandato de Lula um propósito que ele ainda buscava, o de defender a soberania verde-amarela.

Dez entre dez assessores diretos de Lula e ele próprio afirmavam em privado que Tarcísio seria um adversário mais difícil de ser batido. Em sentido oposto, viam em Flávio as fragilidades de quem nunca ocupou um cargo executivo e a capivara de histórias envolvendo rachadinhas e ligações perigosas.

Sem o governador de São Paulo em campo, o presidente e o PT deixaram o jovem Flávio Bolsonaro correr solto, jogar sem marcação, entre dezembro e abril, quando ele alcançou resultados expressivos nas pesquisas. Mais ou menos por esse período, Lula chegou a alimentar os rumores de que desistiria da reeleição, o que inflou ainda mais o ego do adversário e provocou euforia na oposição, aquele sentimento que diminui o senso de risco e cega a capacidade analítica.

Coincidência ou não, pouco tempo depois de o roteiro do PT ter previsto o momento certo de abrir a caixa de ferramentas para começar a desconstruir a pré-candidatura de Flávio, surgiram as revelações de sua relação com Vorcaro.

Para ajudar ainda mais Lula, Donald Trump o chamou para um encontro em Washington no qual o brasileiro tentou reverter as sobretaxas e tarifas comerciais impostas pelo governo americano a produtos brasileiros. 

Enciumado, Flávio também conseguiu ser recebido pelo norte-americano, que classificou facções do crime organizado no Brasil como organizações terroristas. Uma vitória do ponto de vista da direita. No entanto, Trump, na sequência, impôs novas tarifas aos produtos brasileiros, e Flávio foi obrigado a se explicar publicamente, afirmando que não teve nada a ver com o novo tarifaço. Poucos acreditaram.

Em paralelo, como previsto no roteiro, Lula avançou com o fim da escala 6×1 no Congresso, definiu palanques importantes nos estados e recalibrou a comunicação do governo. O que o script do presidente prevê para a metade e a parte final do filme não é tão difícil de antecipar.

O mais provável é que Lula tentará fazer a oposição continuar se arrastando em campo, cada vez mais dividida e agonizante, com o enrolado Flávio à frente. Nessa hipótese, se tudo continuar dando certo para o petista, Lula tentará a vitória ainda em primeiro turno. Caso não consiga, deverá ter um adversário combalido no segundo turno. 

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A parte incontrolável do script fica com os corroteiristas, que podem mudar o rumo da trama ou continuar ajudando o presidente, e com as investigações e possíveis revelações do caso Master. Fortes emoções pela frente.

Kassab na vice

Os resultados da pesquisa Quaest reforçam a percepção de Gilberto Kassab de que Flávio Bolsonaro não chegará ao segundo turno e de que acontecerá uma virada após o início da campanha eleitoral. O presidente nacional do PSD tem trabalhado, inclusive, para ser o vice do candidato de seu partido a presidente, Ronaldo Caiado.

Perdas e danos

Conhecido por sua capacidade analítica, Kassab avalia que Flávio perderá fôlego e capital político ao longo da caminhada, sem falar do que as investigações ainda podem revelar. A ideia de Kassab, segundo seus interlocutores, é convencer setores do MDB de que Caiado é a melhor alternativa ao combalido Flávio e ao cansado Lula.