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Eleitorado antipetista mantém Flávio Bolsonaro firme como opção para vencer Lula

23/05/26

O resultado da mais recente pesquisa Datafolha de intenção de votos para presidente indica que o campo antipetista e antilulista do eleitorado está disposto a continuar sustentando a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto, mesmo após as revelações das ligações do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Em linhas gerais, no principal cenário de primeiro turno Flávio baixou até um índice muito próximo da reserva histórica do chamado “bolsonarismo radical”, algo entre 25% e 30% do eleitorado. Porém, no segundo turno, quando ele passa a ser apresentado aos entrevistados como única opção para derrotar Lula (PT), o senador volta a se aproximar do petista e se mostrar altamente competitivo.

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Segundo o Datafolha, a intenção de votos em Lula no primeiro turno subiu de 38% para 40%, enquanto a de Flávio caiu de 35% para 31%. No segundo turno, o cenário que estava empatado (40% x 40%) também se tornou uma vantagem numérica de 47% a 43% para o petista. No entanto, essa diferença está dentro da margem de erro e configura um empate técnico.

Assim, a exemplo do que apontou a pesquisa Atlas/Bloomberg na terça-feira (19/5), a pré-candidatura do filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL) não derreteu, como sonhavam os petistas, e, em sentido contrário, começa a apresentar sinais de uma resiliência ancorada, sobretudo, no grande contingente de eleitores que rejeitam Lula (PT) ou que, simplesmente, não estão dispostos a dar um novo mandato ao presidente.

Ainda é cedo para uma análise definitiva sobre os possíveis efeitos eleitorais da ligação de Flávio com Vorcaro, até porque as apurações e processos ainda estão em curso. Mas, como o que já se sabe até aqui e à luz dos resultados dessas duas pesquisas, é possível afirmar que o principal candidato de oposição a Lula ainda permanece como a alternativa mais viável e consolidada para derrotar o petista.

A partir de agora, será importante observar se o resultado do Datafolha servirá para Flávio e o PL se fortalecerem politicamente no trabalho de finalização dos arranjos regionais em curso, como no caso de Minas Gerais, por exemplo. Nesse sentido, a pesquisa Datafolha poderá servir para o senador demonstrar força e afastar as especulações de que desistirá da pré-candidatura.

A sombra de Michelle Bolsonaro

Outro ponto relevante da pesquisa é o cenário em que Michelle Bolsonaro, mulher do ex-presidente Bolsonaro, é apresentada como pré-candidata ao Planalto. No segundo turno, ela tem um desempenho parecido com o de Flávio, com 43% das intenções de voto contra 48% de Lula, em mais uma demonstração da força do campo antipetista.

Ou seja, apesar de ter menos intenções do que o enteado no primeiro turno, a ex-primeira-dama também é um nome forte da oposição e com reais chances de derrotar o petista em uma eventual fase decisiva da campanha.

Portanto, Flávio ganha um certo fôlego para continuar como pré-candidato, tentar se afastar do escândalo do Master e se manter como principal nome da oposição, até porque Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) não conseguiram até agora demonstrar viabilidade eleitoral. Porém, o senador continuará com a sombra de Michelle pairando sobre sua cabeça.