Artigos

Confira nossos artigos

JOTA Principal: Instituições retornam ao batente com movimentos calculados pelo caso Master

02/02/26

Esta é a versão online da newsletter JOTA Principal. Quer receber as próximas edições e acompanhar os principais temas do momento? Cadastre-se gratuitamente!

As principais instituições da República retornam hoje ao expediente sob a sombra do escândalo do Banco Master, com o temor de repercussões suprapartidárias nos três Poderes.

O Supremo Tribunal Federal e o Congresso começam o ano com movimentos calculados — seja na escolha dos instrumentos para acompanhar o caso, como CPMIs, seja na discussão do código de conduta entre os ministros do STF.

Já Lula busca se distanciar da crise, sabendo que o tema “corrupção” pode, sim, afetá-lo mesmo que as investigações não batam na porta de seu governo.

Aproveitando o retorno do Congresso, estreamos nesta semana uma seção com minientrevistas diárias com a perspectiva de parlamentares para 2026. O primeiro é o líder do PL no Senado, Carlos Portinho.

Maria Eduarda Portela e Victoria Lacerda colaboraram nesta edição.

Boa leitura e boa semana.


1. O ponto central: O que será que dirá

Há grande expectativa pelo discurso do ministro Edson Fachin, hoje (2), na cerimônia de abertura do Judiciário — com as presenças de Lula, Davi Alcolumbre e Hugo Motta e em meio às críticas pela condução do caso Master.

  • O presidente do Supremo Tribunal Federal tem trabalhado para avançar um código de conduta para os ministros, com diferentes apoios, mas muita resistência interna.
  • Uma ala entende que a lei da magistratura e o próprio Código Penal já serviriam para lidar com eventuais desvios de magistrados.

🕵️ Nos bastidores: O relator do caso Master, Dias Toffoli, reiterou nos últimos dias que as investigações devem ser desmembradas entre o Supremo e outras instâncias, a depender do foro do investigado, Flávia Maia escreve no JOTA PRO Poder.

  • Embora o ministro ainda não tenha dado a palavra final sobre essa questão, esse é um dos caminhos aventados e é uma solução que pode ajudar a distensionar a crise de imagem que o Supremo vive.
  • Toffoli disse a interlocutores que está analisando os elementos colhidos nas operações e, por isso, o relatório da Polícia Federal e o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, serão importantes para a decisão.

Já de olho na possibilidade de o inquérito ficar no STF, Toffoli quis dar uma demonstração de transparência.

  • O ministro explicou suas escolhas na condução da investigação e divulgou os vídeos dos depoimentos de Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa, do BRB, e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central.
  • Em reportagem publicada hoje (2), o Estadão mostra as orientações por escrito que Toffoli passou à Polícia Federal para justificar as perguntas que exigiu serem feitas aos investigados (com paywall).

⏩ Pela frente: Embora a solução que se desenhe seja de distribuição da investigação em diversas instâncias — o que poderia distensionar músculos no STF —, por outro lado, ainda existe um temor na Corte em dissipar as investigações.

  • Por exemplo, como o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, é citado, o caso teria que ser conduzido pelo Superior Tribunal de Justiça.
  • Já outras pessoas sem foro, a investigação seria feita pela Justiça Federal.
  • De qualquer forma, Toffoli ficará prevento para recursos que subam ao STF, mesmo daqueles sem foro.
  • Ou seja, o elo se mantém — e as repercussões negativas e positivas também.

Aliás… O TSE vai debater as normas eleitorais em audiências públicas de terça (3) a quinta (5), em formato híbrido.

  • O comando dos trabalhos é de Nunes Marques, que presidirá o tribunal a partir de junho e estará à frente do pleito.
  • A expectativa é que o ministro imprima uma postura menos intervencionista da Corte eleitoral.

2. De volta à cena

Davi Alcolumbre no plenário do Senado / Crédito: Carlos Moura/Agência Senado

O espectro do caso Master paira também sobre o Congresso na volta aos trabalhos neste ano eleitoral — e deve pautar especialmente o Senado.

Por que importa: A repercussão do caso já contamina a agenda e cria constrangimento generalizado, o que dificulta consenso para avançar investigações que possam atingir parlamentares.

  • A instalação de CPI ou CPMI sobre o caso é considerada ainda pouco provável.
  • A resistência vem das cúpulas da Câmara e do Senado, que avaliam que investigações desse tipo não são de interesse institucional e podem atingir membros do Parlamento.

O Senado aposta em outros mecanismos para acompanhar o caso.

  • O MDB quer convidar Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, para falar no plenário.
  • A Comissão de Assuntos Econômicos criou um grupo de trabalho para monitorar as investigações conduzidas por órgãos competentes.
  • A articulação busca evitar desgaste institucional em um ambiente eleitoral sensível.

⏩ Pela frente: A CPMI do INSS ouvirá Daniel Vorcaro, Maurício Camisotti, do Grupo Total Health, e Gilberto Waller Júnior, presidente do INSS, na quinta-feira (5).

  • A CPMI deve encerrar os trabalhos em março, mas há negociação para prorrogação por mais dois meses.
  • O grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos inicia as atividades na quarta (4), com previsão de acompanhar o andamento das investigações.

3. 🗣️ O que estão dizendo: Carlos Portinho, PL-RJ

Crédito: Design de Chris Moreira/JOTA sobre foto de Saulo Cruz/Agência Senado

O líder do PL no Senado destaca que o ano deve começar com maior fricção entre governo e oposição, principalmente em torno das CPMIs do INSS e do Master.

  • “A expectativa é de um ano de embate político se intensificando a partir de abril, quando começam as pré-campanhas de forma mais expostas”, ele diz.
  • “Até lá, muita articulação entre partidos e nomes que entram e saem na formação das chapas majoritárias, que somente se definirão no laço em julho.”
  • “Vai ter disputa acirrada para não pautar projeto de redução de jornada. O desgaste com a reforma tributária e a tributação de dividendos já é perceptível para a sociedade, e os danos começam a aparecer.”

Portinho ressalta ainda a indicação de Jorge Messias ao Supremo, que conta com a antipatia de Alcolumbre.

  • O clima ruim para a indicação continua, e corre risco de não pautar ou tomar uma pernada em plenário.

4. 🎉 Em fevereiro, tem Carnaval

O presidente da Câmara, Hugo Motta / Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A expectativa na Câmara é de que a primeira quinzena de fevereiro não seja de pautas complexas e muita divergência.

  • A primeira sessão, marcada para hoje (2), tem apenas duas medidas provisórias na pauta: a MP 1.312/25, que abre crédito extraordinário de R$ 83,5 milhões para o Ministério da Agricultura, e a MP 1.313/25, que cria o Auxílio Gás do Povo.

Por que importa: Os projetos mais relevantes na pauta do ano, como a PEC da Segurança e o PL Antifacção, só começarão a aparecer depois do Carnaval.

  • O foco dos deputados nesta semana está na instalação das comissões permanentes.
  • Os líderes partidários acataram um pedido do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) para manter a mesma divisão entre as siglas, alterando apenas os parlamentares na presidência.
  • Leur Lomanto Júnior (União-BA) assumirá o comando da CCJ, principal comissão da Casa.
  • Joaquim Passarinho (PL-PA) comandará a Comissão de Minas e Energia.
  • Max Lemos (PDT-RJ) estará à frente da Comissão de Trabalho.
  • AJ Albuquerque (PP-CE) da Comissão de Viação e Transportes.
  • E Coronel Meira (PL-PE) da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

⏩ Pela frente: Alguns partidos, como o PT e o PSD, decidirão os presidentes apenas durante esta semana, nas primeiras reuniões de bancada do ano.


5. O número 1 do 01

O governador Ronaldo Caiado / Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

O entorno de Flávio Bolsonaro vê o nome de Ronaldo Caiado despontando no trio de presidenciáveis do PSD, Marianna Holanda escreve no JOTA PRO Poder.

  • Para esses aliados, o governador de Goiás tende a ser escolhido para a disputa pelo Planalto.

🔭 Panorama: Caiado deixou o União Brasil pois sabia que a cúpula da sigla não tinha intenção de lançá-lo.

  • A ida ao partido de Gilberto Kassab reforça a avaliação de que ele pretende se viabilizar e de que o PSD quer ter candidatura própria.
  • Na avaliação de aliados de Flávio, Leite e Ratinho Jr. devem disputar o Senado, mas o anúncio será mais à frente porque interessa mais a Kassab manter três presidenciáveis do que apenas um.
  • Em seus estados, os governadores ganham peso adicional nas negociações de sucessão — algo que, para Ratinho Jr., se mostra especialmente relevante neste momento, diante das dificuldades de manter o controle da base no Paraná.

Para a campanha de Flávio, Caiado surge como um aliado.

  • Ele chegou a conversar com Bolsonaro quando o ex-presidente estava em prisão domiciliar e ouviu dele que quanto mais candidatos no primeiro turno, melhor.
  • A expectativa do entorno de Flávio é que, caso Caiado se consolide, seja possível formar uma dobradinha contra Lula.

Aliás… Kassab filiou mais um governador ao PSD: Marcos Rocha, de Rondônia, que decidiu abrir mão de disputar o Senado, registra o Estadão (com paywall).


6. 🛵 Previsão recalculada

O ministro Guilherme Boulos/ Crédito: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

A Secretaria-Geral da Presidência adiou em dez dias a divulgação do relatório final do grupo de trabalho que discute proteções sociais e trabalhistas para entregadores por aplicativo, Karol Bandeira registra no JOTA PRO Trabalhista.

  • O documento prevê medidas infralegais que envolvem outros ministérios e que, por sua vez, precisam concluir estudos e notas técnicas, segundo a pasta.
  • Apesar de não precisarem do aval do Congresso, essas medidas que forem propostas não entrarão em vigor logo após a publicação do relatório.
  • Cada proposta deverá ter um cronograma próprio para implementação.
  • Ao longo dos encontros, foram debatidos temas como previdência, remuneração mínima, transparência algorítmica das plataformas, pontos de apoio e políticas de proteção para entregadoras mulheres.

7. 🍷 Adega é móvel

Modelos de adegas da Brastemp, marca que pertence à Whirlpool / Crédito: Brastemp/Divulgação

A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Carf decidiu, por 5 votos a 1, que as adegas de vinho fabricadas pela Whirlpool devem ser classificadas como móveis destinados à conservação e exposição de produtos que incorporam equipamento de frio, Diane Bikel relata no JOTA.

  • Com isso, ficou mantida a alíquota zero de IPI.
  • A Receita Federal pretendia reclassificar os itens como máquinas e aparelhos para produção de frio, o que elevaria a tributação para até 15%.
  • O relator, conselheiro Anselmo Messias Ferraz Alves, votou por validar a classificação adotada pela contribuinte, ao considerar que a simples possibilidade de exposição não pressupõe finalidade comercial.
  • Já o presidente, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, único a divergir, entendeu que o termo “exposição” pressuporia visibilidade total do produto e que as adegas da Whirlpool não seriam destinadas a esse propósito.