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Kassab amplia poder na Alesp e esvazia ainda mais o PSDB

05/02/26

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, anunciou nesta quinta-feira (5/2) a filiação ao partido de sete deputados estaduais de São Paulo, seis deles do PSDB. O movimento é importante porque deve alterar a correlação de forças entre as siglas que compõem a base de apoio de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) na Alesp e, consequentemente, influenciar na formação da chapa eleitoral do governador à reeleição.

Segundo o dirigente, que é secretário estadual de Governo, Analice Fernandes, Maria Lúcia Amary, Mauro Bragatho, Carlão Pignatari, Rogério Nogueira, Barros Munhoz (todos esses do PSDB) e Dirceu Dalben (Cidadania) assumiram oficialmente o compromisso de se filiarem ao PSD até o próximo dia 4 de março, na janela partidária. As trocas agravam ainda mais a situação dos tucanos no estado onde comandaram o governo entre 1995 e 2022, com duas pequenas interrupções em 2006 e 2018.

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Com os novos deputados, o PSD chega a 11 parlamentares e a partir de agora ocupa o posto de terceira maior bancada da Alesp, atrás do PL, que tem 19, e da federação PT-PCdoB-PV, que também tem 19. As filiações em São Paulo fazem parte da estratégia nacional de Gilberto Kassab de ampliar a força legislativa do partido que comanda com vistas nas eleições deste ano.

Em termos eleitorais, a chegada dos novos deputados aumenta o cacife de Kassab para tentar manter o posto de vice-governador de São Paulo com o PSD. A vaga passou a ser cobiçada pelo PL, presidido por Valdemar Costa Neto, com quem o secretário de Governo trava uma disputa velada em torno de qual sigla terá mais poder parlamentar a partir de 2027.

Como exemplo dessa disputa, o PL também cobiçava a filiação de Analice Fernandes, mas ela preferiu aceitar o convite do PSD. Restaram agora na bancada do PSDB Bruna Furlan e Carla Morando, que também têm propostas para trocar de partido.

Apesar de o PL, com o apoio da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, trabalhar nos bastidores para ficar com a vaga de vice na chapa de Tarcísio à reeleição, o JOTA apurou que o governador ainda se mantém disposto a seguir com Felício  Ramuth, do PSD de Kassab, na mesma posição.

Ou seja, se a decisão de Tarcísio tivesse de ser tomada hoje, Ramuth concorreria como vice. Segundo Valdemar Costa Neto, o nome do presidente da Alesp, André do Prado (PL), também foi apresentado ao governador como alternativa. A definição, no entanto, só deve mesmo ocorrer depois de abril ou mesmo mais perto das convenções partidárias, em julho e agosto.