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Kassab como vice de Caiado amplia incertezas nos bastidores da política

01/07/26

A 20 dias da abertura do período eleitoral para a realização das convenções partidárias, o PSD está muito próximo de anunciar um arranjo que deve ampliar ainda mais o ambiente de incertezas no cenário pré-eleitoral. O partido define os últimos detalhes para anunciar, provavelmente nesta quarta-feira (1/7), em Brasília, uma chapa pura para a disputa da Presidência.

O posto de vice de Ronaldo Caiado deverá ser ocupado pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Nos bastidores das principais pré-campanhas do país, a informação, confirmada por interlocutores de ambos, foi recebida com reserva e, em alguns casos, até com desconfiança.

Em um cenário pré-eleitoral no qual muitos ainda se questionam se as pré-candidaturas a presidente colocadas até agora chegarão até o final, a entrada de Kassab no jogo, em vez de trazer respostas concretas, ajuda a ampliar as incertezas quanto ao futuro.

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Kassab é reconhecido no mundo político pela fama de “enxergar à distância” algo que a maioria ainda não vê. Por esse motivo, a questão colocada nos bastidores das pré-campanhas é: qual o objetivo do dirigente com esse movimento?

As principais hipóteses levantadas até agora apontam para a possibilidade de Kassab ter informações privilegiadas sobre as investigações envolvendo o caso Master e, com base nesse suposto conteúdo, apostar em um “derretimento” da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O senador não é formalmente investigado, mas, conforme diálogos revelados pelo site The Intercept, cobrou ajuda financeira de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco.

Mesmo quem não acredita totalmente nessa hipótese avalia que o presidente nacional do PSD, apenas com base na análise do cenário futuro, aposta em uma queda drástica nas intenções de voto de Flávio e em uma subida de Caiado nas pesquisas. Nesses dois casos, Kassab estaria se colocando como vice por, simplesmente, confiar na vitória eleitoral.

De acordo com as mais recentes pesquisas para a Presidência, Caiado aparece tecnicamente empatado com Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), todos variando entre 3% e 7% das intenções de voto, muito abaixo de Lula (PT) e de Flávio. Ou seja, o desafio desse segundo pelotão que tenta construir uma “terceira via” é enorme e, até agora, pouco provável.

Unidade interna

Assim, hipóteses à parte, em termos concretos, a movimentação no PSD tende a resolver dois problemas imediatos: a dificuldade de encontrar um vice em outro partido e a necessidade de uma união interna em torno da pré-candidatura de Caiado, que vem sofrendo resistências em diversos estados do país, especialmente no Nordeste, onde a governadora Raquel Lyra (PSD-PE), por exemplo, apoiará Lula.

Caiado, Kassab e dirigentes do PSD procuraram outros partidos do Centrão para compor a chapa, como o MDB, o Republicanos e a federação União-PP. Em linhas gerais, ouviram que a tendência é permanecer fora da polarização entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Nesse sentido, se os demais partidos do Centrão mantiverem essa posição, a chapa puro-sangue do PSD poderá indicar uma tendência para outras pré-candidaturas, incluindo as de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, que ainda não definiram seus vices.

Diante dos obstáculos para uma composição, o presidente do partido teria preferido ocupar a vice, mesmo provisoriamente, e entrar diretamente na précampanha por Caiado em busca de unificar a legenda.

Guardando a vaga?

Mais adiante, se o arranjo de forças mudar ou mesmo se o ex-governador de Goiás adquirir maior viabilidade eleitoral, Kassab estaria disposto a abrir mão do posto em favor de uma aliança. Nesse cenário, os nomes mais lembrados são os de Zema e de Aécio Neves, deputado federal por Minas Gerais e presidente nacional do PSDB. Por ora, ambos descartam.

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Pela legislação eleitoral brasileira, os partidos ou federações podem mudar o candidato a vice-presidente até o dia 14 de setembro de 2026, data que marca exatamente 20 dias antes do primeiro turno das eleições. Até lá, Kassab terá como principal desafio percorrer o país em pré-campanha convencendo os pré-candidatos do PSD a apoiar Caiado e a acreditar na chance de vitória. Do lado do presidenciável, a entrada do presidente do partido na chapa é uma sinalização clara de que não faltarão recursos para a campanha.