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Pesquisa traz boa notícia para Lula, mas cenário preocupante para Haddad em SP

16/06/26

Um dos cenários da mais recente pesquisa Real Time Big Data para governador de São Paulo confirma a importância de Kim Kataguiri (Missão), ironia das ironias, para o futuro próximo de Fernando Haddad, Lula e o PT no maior colégio eleitoral do país: sem o nome do deputado federal na urna, será muito alta a probabilidade de a eleição ser decidida em primeiro turno.

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Outro importante indicativo da pesquisa é um recado para a coordenação da campanha de Haddad, a ser formada oficialmente por representantes do PSB e das federações PT-PV-PCdoB e PSOL-Rede: o que vem sendo feito até agora na pré-campanha não será suficiente para tirar votos de Tarcísio de Freitas (Republicanos), especialmente no interior do estado.

A missão de Haddad

A boa notícia do instituto para a dupla Lula-Haddad é que o presidente está tecnicamente empatado (dentro da margem de erro) com Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno em São Paulo. O pré-candidato de oposição tem 47% das intenções de voto contra 44% do presidente. Ou seja, se Haddad for derrotado, seu “sacrifício” em ajudar o padrinho político no maior colégio eleitoral do país tem grandes chances de não ser em vão.

Importante ressaltar que São Paulo com seus 34,6 milhões de votos é considerado um território estratégico para as campanhas. Se não abrir uma ampla vantagem sobre Lula em São Paulo, Flávio terá, por exemplo, de ir muito bem no Nordeste, onde os candidatos petistas costumam levar vantagem. Não por outro motivo, o PT comemorou o resultado da pesquisa em seu recorte presidencial no estado.

No entanto, se a eleição estadual for decidida no primeiro turno, o cenário pode se complicar para Lula, caso a disputa pela Presidência se arraste até o segundo turno. Como Haddad tem se mostrado mais eficiente em defender o presidente do que propriamente em fazer sua campanha, seria muito ruim para seu padrinho ficar sem um palanque em São Paulo na fase decisiva da eleição.

Palácio dos Bandeirantes

De acordo com a pesquisa, no cenário 2 apresentado ao eleitor, sem Kataguiri, Tarcísio atinge 49% das intenções de voto, contra 33% de Haddad (PT) e 10% de Paulo Serra (PSDB), enquanto nulos e brancos somam 4% e os indecisos representam outros 4%. Pela regra eleitoral, um candidato é eleito em primeiro turno quando obtém a maioria absoluta dos votos, excluindo os votos em branco e os nulos.

No primeiro cenário, Tarcísio está à frente com 46% das intenções de voto, seguido por Haddad, com 33%. Kataguiri tem 8% e Serra, 6%. Votos nulos e brancos somam 4%, enquanto 3% não sabem ou não responderam.

A Real Time Big Data entrevistou 2.000 eleitores em todo o estado de São Paulo, entre os dias 13 e 15 de junho. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos do próprio instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo SP-09734/2026.

O instituto não divulgou resultados do segundo turno na eleição para o governo de São Paulo. Mas a lógica indica que os votos de Kataguiri e Serra, dois candidatos da centro-direita, não deverão migrar em sua totalidade para Haddad caso os dois fiquem fora de uma eventual fase decisiva, como indicam as pesquisas.

A missão do Missão

Kim Kataguiri, adversário figadal do PT, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e personagem importante no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), tem afirmado que manterá sua pré-candidatura, assim como Paulo Serra, ex-prefeito de Santo André.

O deputado federal dará palanque em São Paulo para o presidenciável Renan Santos (Missão), que aparece com 10% na pesquisa presidencial em São Paulo, à frente de Romeu Zema (Novo), Joaquim Barbosa (DC), Aécio Neves (PSDB) e Ronaldo Caiado (PSD), embolados na margem de erro, variando entre 3% e 5% das intenções de votos.  

Até agora, Kataguiri tem adotado um caminho de “terceira via conservadora”, uma alternativa “antissistema”, posicionada à direita de Tarcísio, a quem tem criticado pelo viés da segurança e da concessão de supersalários ao funcionalismo do Judiciário paulista. O grande objetivo da candidatura, porém, é mesmo consolidar o partido Missão em São Paulo.

Centro radical

A pré-campanha de Paulo Serra tem sofrido pressões no sentido de uma adesão a Tarcísio já no primeiro turno. O posicionamento do tucano é convencer o eleitor de que ele é uma alternativa de centro, com discurso focado na eficiência administrativa e no resgate do legado histórico do PSDB no estado.

Espremido entre os apoiadores de Tarcísio, que o querem fora, e alguns nomes de centro-esquerda do PSDB, que pedem uma interlocução dele com Haddad, Paulo Serra tem adotado uma postura de “centro radical”, com críticas à polarização entre direita e esquerda.

Discurso manjado

Por ora, Haddad, além de defender Lula, tem focado suas críticas a Tarcísio em temas como eficiência administrativa, modelo de privatização da Sabesp e omissões na área da segurança. O pré-candidato do PT também insiste no debate ideológico com o governador, tentando carimbar seu adversário como “bolsonarista” e “radical de direita”.

Disputas recentes, como a da prefeitura da capital paulista em 2024, já mostraram a ineficiência desse discurso, quando Ricardo Nunes (MDB), apoiado por Jair Bolsonaro (PL) e alvo dos ataques ideológicos de Guilherme Boulos (PSOL), foi reeleito.

Só para se ter uma ideia, na macrorregião de Campinas, com 15% do eleitorado, o governador tem 52% contra 25% de Haddad. Chamar Tarcísio de bolsonarista ou “direitista” é como tocar uma sonata de Mozart ou um clássico de Chitãozinho & Xororó para uma parcela expressiva do eleitorado do interior, como mostra esse recorte da pesquisa Real Time Big Data.