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Pix mudou de forma ‘muito enfática’ repressão ao crime organizado, diz delegado

13/05/26

O advento do Pix mudou de forma “muito enfática” o trabalho de repressão ao crime organizado, ao criar novas dificuldades de rastreabilidade, afirmou nesta terça-feira (12/5) o delegado-chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) da Polícia Civil do Distrito Federal (PC-DF), Paulo Francisco Soares Pereira. A declaração foi feita em audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados sobre lavagem de dinheiro por meio de fintechs, marcada por pedidos de reforço orçamentário, tecnológico e institucional aos órgãos de fiscalização.

Soares afirmou que criminosos passaram a adotar novos procedimentos para dificultar o rastreamento de recursos e ressaltou a importância do fortalecimento do trabalho das polícias, que hoje analisam um volume muito maior de dados e movimentações financeiras.

A avaliação foi acompanhada por manifestações de associações do sistema financeiro e representantes do Banco Central e do Ministério da Fazenda em defesa do fortalecimento das instituições que atuam na fiscalização e no combate ao crime organizado no mercado financeiro.

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“As autoridades que atuam nessa regulação precisam ter um reforço orçamentário. Uma entidade forte, que consiga acompanhar os avanços do mercado, também precisa ter um corpo eficiente e robusto para fazer esse acompanhamento”, defendeu Diego Perez, presidente da Abfintechs.

Perez também defendeu que as áreas de supervisão do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) possam utilizar inteligência artificial (IA) para otimizar os monitoramentos.

Andrea Chaves, subsecretária de Fiscalização do Ministério da Fazenda, lembrou a importância da cooperação entre os órgãos do poder público para obter resultados robustos, como a Operação Carbono Oculto. “A estrutura se sofisticou e, se a estrutura se sofistica, o Estado também precisa estar preparado para isso. Não só com investimento em tecnologia, mas também com investimento em capacitação dos seus servidores e um quadro robusto para que o Estado possa atuar”, afirmou.

Representante do Departamento de Supervisão de Conduta do Banco Central, Alvaro Lima Freitas Junior citou o uso das chamadas “contas-bolsão” ou “contas-ônibus” pelo crime organizado, uma vez que ocultam os verdadeiros proprietários dos recursos movimentados.

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Entre as medidas adotadas pelo BC, elencou o encerramento de contas com movimentação considerada irregular, o reforço da segurança cibernética das instituições, o incentivo para que instituições financeiras monitorem transações para bloquear fraudes e a observação do uso de negócios lícitos, não apenas de fachada, para processar recursos de origem criminosa.

Como forma de coibir o uso do mercado financeiro para atos ilícitos, a presidente-executiva da Associação Brasileira de Câmbio (Abracam), Kelly Gallego Massaro, expôs o funcionamento do selo de conformidade da organização, hoje já utilizado por cerca de 350 empresas do setor. Para ela, o principal benefício para o público é indireto, dificultando, por meio de boas práticas, a inserção de recursos ilícitos na economia.