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Simples: governo envia PLP restrito; relator deve insistir em texto amplo

01/07/26

Não teve sucesso a tentativa de acordo entre a Câmara dos Deputados e o Ministério do Planejamento em prol de um projeto de atualização do Simples Nacional. Apesar de ter designado técnicos para analisar uma opção mais ampla com parlamentares, o governo enviou ao Congresso, na segunda-feira (29/6), o PLP 186/2026, que reajusta o teto do MEI de R$ 81 mil para R$ 140 mil, conforme o que já vinha defendendo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

Já o relator do PLP 108/2021, Jorge Goetten (Republicanos-SC), deve insistir em um texto mais amplo, reajustando todo o Simples Nacional. Ao JOTA, Goetten lembrou do compromisso do presidente da Câmara, Hugo Motta, no sentido de remeter o projeto do Executivo à comissão especial já criada. Assim, ele defende que ainda há espaço para negociação.

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“Entendemos que o MEI e o Simples têm que caminhar juntos. Se atualizar um, tem que atualizar o outro. Vejo que vai ter um consenso e um convencimento da parte do governo também, da equipe econômica, em atualizar o Simples”, disse.

Segundo o deputado, o envio do projeto do Executivo não altera a perspectiva de apresentar o relatório e votar o projeto antes do recesso parlamentar. Goetten estima que a Câmara aprove o texto em cerca de duas semanas. “Já avançamos bastante e vamos avançar ainda mais, incluindo no relatório a atualização do Simples”, disse.

O que pretende o relator

O projeto enviado pelo governo estava previsto para a semana passada, mas acabou adiado após tentativa de entendimento entre a Câmara e o Ministério do Planejamento, que não avançou. Um grupo de trabalho chegou a ser criado para analisar a viabilidade de um projeto mais amplo.

A intenção do relator na comissão especial é reajustar as categorias do Simples pela inflação. O faturamento máximo do MEI passaria, no texto de Goetten, de R$ 81 mil para R$ 134 mil. No caso dos transportadores autônomos, o teto passaria de R$ 251 mil para R$ 312 mil. Para Microempresas (ME), passaria de R$ 360 mil para R$ 800 mil; e para Empresas de Pequeno Porte (EPP), de R$ 4,8 milhões para R$ 8 milhões.

Por outro lado, o relator pretende adotar outra perspectiva ao tratar do sublimite do Simples. A regra define que, se uma empresa faturar acima de R$ 3,6 milhões, ela continua no regime simplificado para os tributos federais, mas passa a pagar os impostos estaduais (ICMS) e municipais (ISS) separadamente.

A ideia, segundo Goetten, seria remeter possíveis mudanças no sublimite para as gestões estaduais, evitando a resistência dos governos subnacionais. A decisão veio depois de o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) divulgar que o PLP 108 pode reduzir em R$ 21 bilhões a arrecadação anual de estados e municípios.