No epicentro de uma série de críticas sobre a condução do inquérito do Banco Master, o ministro Dias Toffoli resolveu dar sinais de transparência. Pela primeira vez, desde que assumiu a relatoria do caso, ele divulgou uma nota oficial com esclarecimentos sobre a investigação.
Ainda, atendeu a um pedido do Banco Central para deixar públicos os depoimentos e acareações. Um dos principais questionamentos a Toffoli é justamente a imposição do maior grau de sigilo existente nesta investigação.
A atitude do ministro foi vista no Supremo Tribunal Federal (STF) como uma resposta aos questionamentos e uma tentativa de amenizá-las. Advogados que estão no caso também viram com bons olhos o movimento do ministro. A medida pode ajudar a diminuir os ruídos na imprensa.
Ainda existem dúvidas se Toffoli adotará o padrão de transparência ou se a medida foi mais um remédio para tentar estancar o desgaste em sua imagem como magistrado e do próprio tribunal. A interlocutores, Toffoli tem dito que mais trechos da investigação do Master devem ter o sigilo retirado. Contudo, o inquérito em si continua com o mesmo grau de sigilo.
O certo é que a transparência foi usada por Toffoli como uma forma de se proteger – não só agora, como também no futuro, caso o inquérito permaneça no Supremo.
Uma das hipóteses discutidas é manter no STF apenas a parte de investigados com prerrogativa de foro – outros pontos seriam remetidos a instâncias inferiores. A decisão será tomada após o encerramento das investigações, conforme o próprio ministro destacou em sua nota.
Por enquanto, o recado que fica é que Toffoli também tem suas cartas na manga. O jogo está posto.
